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Editora EdIFPA lança três coletâneas

  • Publicado: Terça, 09 de Abril de 2019, 11h39
  • Última atualização em Terça, 09 de Abril de 2019, 17h30
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Chamadas para publicação de novos livros devem ser divulgadas pela Proppg ainda em abril 

 

O clima de confraternização e missão alcançada tomou conta do Conselho editorial da EdIFPA, Editora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) na sexta-feira, 5 de abril. Na ocasião, a equipe da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppg) entregou os primeiros exemplares que compõe o catálogo da EdIFPA. Três autores, coordenadores das primeiras coletâneas, participaram de uma mesa organizada no Auditório do Centro de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância (Cetead) para receber os títulos e falar um pouco sobre as produções. As coletâneas são compostas de textos produzidos em âmbito acadêmico, com temas bem distintos: literatura e oralidade na Amazônia abordando as narrativas em torno do imaginário e o fantástico; a sexualidade, gênero e relações de aliança sob a ótica da Antropologia; e a Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. 

 

A EdIFPA foi criada por resolução aprovada em 2015 e os trabalhos iniciaram em 2017, com a lotação dos servidores. A estruturação da editora iniciou com a criação das normativas que compõem o Regimento interno, a consolidação do Conselho Editorial e as Chamadas para e-book. “A estruturação da Editora e a seleção dos livros aconteceram ao mesmo tempo, de uma forma muito ousada como tinha que ser para se conseguir realizar este projeto. Nosso objetivo, a partir de agora, é divulgar a editora para ampliar o número de submissões de livros e conseguir ao menos cinco publicações por ano”, assegura a Coordenadora da EdiFPA, Ana Carolina Chagas Marçal.

 

Entre as atribuições da Editora está a de gerir todas as publicações do IFPA de cunho científico, efetuar os serviços editoriais, os prefixos editoriais e liberar o International Standard Book Number (ISBN), um sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país, a editora, individualizando-os por edição. E atribuir o ISSN para obras seriadas como revistas.

 

“Estes livros é uma vitória profissional para mim. O processo editorial é muito longo, e por causa disso, é um pouco frustrante. Eu sei que os autores gostariam de ter o produto final com mais rapidez, mas ele é realmente um processo longo, envolve muitos detalhes, várias alterações e mudanças, confecção, diagramação e capa. Estou muito feliz hoje por esta celebração, demonstra o compromisso com a comunicação científica. Acreditamos na importância do acesso livre à informação e estes livros são a materialização desta certeza. Que o IFPA, como um todo, possa desfrutar destas informações, levem para as salas de aula, gerem novas pesquisas e reverbere em nossa instituição”, espera Carolina.

 

A entrega dos livros aos organizadores das obras consolida a Editora e o trabalho que está sendo construindo ao longo de dois anos. “É uma resposta à comunidade acadêmica quanto às pesquisas desenvolvidas no IFPA. Não adianta produzir conhecimento se ele não é compartilhado, por meio de acesso facilitado e de forma gratuita. Para tanto, a Editora está lançando livros tanto na versão impressa, quanto na versão on-line. Os livros são todos pensados para ser e-book. No entanto, a versão impressa destes três, por serem os primeiros, são um marco comemorativo. Iremos, também, enviar alguns exemplares para as bibliotecas dos campi e estão disponíveis para o público em geral no site da Proppg em formato pdf. É um arquivo adaptado para ser lido no celular, nos tablets e nos leitores de e-book”, afirma Carolina.

 

A Pró-reitora da Proppg, Ana Paula Palheta, esclarece que cada uma destas obras tem um valor intrínseco à produção do conhecimento científico. “Todas tiveram início com grupos de pesquisas, com o trabalho de muitas mãos e que se materializa neste momento aqui, hoje. Para chegarmos na condição de humanidade que temos hoje, uma trajetória de convergência de conhecimentos - alguns empíricos, outros acadêmicos e filosóficos-, nos permitiram a nossa vida. Dentro das dimensões de vida temos a acadêmica, esta que estamos celebrando hoje. O valor disso é imensurável. Todas as nossas obras contemplam pesquisas sérias, desenvolvidas por professores da nossa instituição e duas delas possuem envolvimento direto de nossos alunos. Isso demonstra o quanto a Editora está comprometida em divulgar o conhecimento na região. Nossa Editora é a única dos Institutos Federais na Amazônia. Mostra a qualidade de nossas pesquisas e mostra, também, nossa vontade institucional de divulgá-las. Convido, em nome do IFPA, os outros membros da instituição, independente da categoria, se técnico, servidores ou se alunos, para que possam sonhar em ter suas atividades publicadas pela instituição. A Editora nos possibilita criar uma rotina de publicações que, sem dúvida nenhuma, vai nos garantir caminhar pelo século XXI contribuindo com esse conhecimento científico”, garante.

 

“As obras impressas são resultante do apoio da Reitoria, na pessoa do Professor Claudio Alex, que entende a relevância e o valor que existe nas obras que são publicadas e facilitam o acesso de nossos alunos nos campi. É importante que todos ajudem a divulgar que o IFPA tem uma editora e que ela funciona. Agradeço a este Conselho Editorial que cumpriu o desafio de implementar uma rotina de trabalho e reuniões para a publicação destas obras. Estas publicações, certamente, mostram que o IFPA caminha a passos largos no que diz respeito a sua produção e participação no nicho de Ciência e Tecnologia no Estado do Pará”, conclui a Pró-reitora.

 

A editora trabalha no projeto gráfico e diagramação de mais dois livros que foram aprovados em 2018, um vem do Campus de Santarém e outro do Campus Marabá Rural. No mês de abril, serão abertas novas chamadas para as publicações pela editora. São cinco linhas editoriais, que incluem de tese a dissertações, linha técnico-científica e linha didático-pedagógica.  Interessados em publicar com a EdIFPA, basta acessar a página da Proppg:  www.proppg.ifpa.edu.br/guia-do-autor

 

Conversa com os autores

“As margens do rio imaginário e fantástico nos assentamos e contamos!”

 

O professor de Literatura, Língua Espanhola e Teoria Literal no IFPA campus Belém, um dos organizadores do livro “As margens do rio imaginário e fantástico nos assentamos e contamos!”, Werlligson Valente dos Reis, comenta que o livro vem ajudar muito a pesquisa acadêmica. “Ele é um marco para nós do Curso de Letras e do Grupo de Pesquisa, por que poderemos trabalhá-lo dentro de sala de aula. Como sou professor de Literatura, muita coisa que está colocada no livro poderemos analisar com os alunos. A obra é resultado do trabalho interdisciplinar, um incentivo para outros alunos produzirem artigo científico e textos para publicação em livros e revistas e, assim, a gente possa crescer cada vez mais a pesquisa dentro do campus, tanto na graduação, quanto no nível médio. Este tipo de trabalho aproxima nossa disciplina, por exemplo Literatura, com a realidade do aluno. O aluno vive este imaginário e este fantástico no seu dia a dia, embora na cidade não é tão parecido como na ilha de Paquetá, onde fizemos a pesquisa, mas têm as histórias dentro da cidade e nossos alunos conhecem estas histórias que estão no imaginário coletivo como um todo. Este livro vai ajudar a trabalhar com os próprios alunos do ensino médio do ensino integrado para que percebam que a Literatura não está tão afastada deles ou que se limita a estudos de autores que escreveram no século passado, mas pode ser a história que está sendo contada agora na contemporaneidade”, ressalta.

 

Professor Werlligson destaca que o imaginário e o fantástico são duas vertentes trabalhadas pelo grupo de pesquisa do qual faz parte.“A professora Sílvia reuniu aqui um trabalho desenvolvido na graduação, no curso de Letras, dentro do Pibid. Um dos grupos trabalhou com as questões do imaginário, além da sala de aula, foram para a pesquisa de campo. Extrapolando o que o Pibid pede para fazer, eles foram para a Ilha de Paquetá e recolheram várias narrativas junto aos moradores de lá. A partir destas narrativas, eles construíram o trabalho em sala de aula que deu origem aos TCCs. O livro reúne estes relatos e as teorias em torno das narrativas orais. As fotos que ilustram o livro foram feitas durante as visitas à ilha, o acervo fotográfico foi aproveitado para ilustrar o livro. Ficou primorosa a diagramação, quero parabenizar a Carolina. O outro grupo trabalhou as questões sobre o fantástico presente na literatura mais contemporânea e amazônica”, explicou.

 

Sobre o desafio de ajudar os alunos se descobrirem escritores, Professor Werlligson explica que o educador precisa ter uma boa articulação com seus orientandos para produzirem obras semelhantes. “É preciso ter força de vontade e perseverança para produzir um livro, por que envolve muita gente. Após ler o edital, procuramos nossos orientandos, alunos que estavam desenvolvendo o TCC e os motivamos a desenvolver um artigo sobre o que foi pesquisado. O livro é resultado dessa parceria para definir o que poderia ou não ir para a coletânea. Têm TCCs tão ricos que possibilita desenvolver vários artigos”, afirma. 

 

“Faço um convite à leitura das obras. Acredito que vão se identificar com as histórias que são contadas. A gente consegue trabalhar tanto o imaginário da cidade e das ilhas. Esta questão do rio está muito presente no nosso dia a dia, todos nós já atravessamos o rio em algum momento, o rio foi o nosso caminho, foi a nossa direção. Faço um convite especial aos cursos de Letras para ler, pois além das histórias, temos muita teoria sendo desenvolvida nos textos. Tudo isso é muito importante para os estudantes, os professores e pesquisadores do Curso de Letras. Para eles deve ser muito importante, pois às vezes pensam que esta literatura oral, amazônica, é de menor qualidade, mas nos livros demonstramos que não. É uma literatura de uma qualidade excepcional que pode ser trabalhada de várias vertentes como nós trabalhamos. A base é o imaginário e o fantástico, mas quando se lê o livro é possível ver várias vertentes deste fantástico e deste imaginário. Mostrando possibilidades de como estudar esta nossa literatura oral e nossa literatura amazônica. No prefácio temos uma alusão que cabe para contextualizar o livro, falamos do encontro do Rio Barrento, o imaginário, o desconhecido, com o Rio Negro, o fantástico, nebuloso em relação ao imaginário, pois não sabemos se o que está sendo contado é fruto da imaginação ou da construção da região. Espero que todos gostem da obra. Que todos possam fazer o download”, convida Professor Werlligson.

 

Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente na Amazônia

A Professora de Biologia no IFPA campus Itaituba, organizadora da obra “Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente na Amazônia”, Liz Carmem Silva-Pereira, explica que a coletânea reune trabalhos produzidos por alunos. É o resultado da dedicação para implantar a pesquisa científica no Campus. “A finalidade dos IFs, da Rede Federal, é justamente trazer a formação cidadã e contribuições para o mundo do trabalho. No instante que eu pego uma pedra bruta - um menino de 14 anos, e coloco dentro da Ciência, ele faz uma pesquisa - nós conseguimos transformar isso em um capítulo de um livro. Então, ele olha, consegue sentir o orgulho de dizer ‘eu fiz’, não sou eu que estou dizendo, é ele mesmo. Isto é mostrar ao ser humano, ainda em tenra idade, as suas capacidades, que nem ele mesmo sabia que tinha”, afirma.

 

“Dentro do contexto da Amazônia, que se discute muita teoria subjetivas, este livro mostra a Amazônia de verdade, não a Amazônia paradisíaca apenas, mas as dificuldades das pessoas que moram lá. Mostra como estas pessoas moram, a água que elas bebem. Todos falam que a Amazônia tem o maior potencial hídrico do mundo, e a gente mostra que na beira de um rio, o ‘beradeiro’, tem acesso a uma água bruta que leva a problemas de saúde. Revelamos que, embora haja uma disponibilidade hídrica imensa, ele não tem acesso à água tratada, por exemplo”, ressalta Professora Liz.

 

Sobre despertar o aluno para a pesquisa e escrita científica, Professora Liz propõe trocar ideias e conhecimentos com os demais Institutos. “Eu estou à disposição de quaisquer campi que precise de ajudar na produção de pesquisa científica. Estamos aqui para o crescimento da Rede. O primeiro passo para transformar um aluno em pesquisador é ouvi-lo, pergunte a seu aluno onde ele está inserido. Vá até a comunidade dele. Não adianta eu chegar como orientadora e dizer para ele fazer um projeto sobre tal coisa. Antes, eu preciso perguntá-lo: onde você vive? Onde você vive, o que gostaria de fazer? Com o conhecimento técnico que você tem hoje, o que você pode fazer para mudar a realidade onde você está? Se a gente não conseguir que este aluno interfira na realidade onde ele vive, é meio difícil que ele abranja para outras realidades e consiga mudar outros pontos dentro do seu âmbito profissional. Então, a sensibilidade está em contextualizar com o universo em que o aluno vive, especialmente respeitando os arranjos produtivos locais, trazendo as potencialidades que cada cidade e comunidade, que circundam os nossos campi, têm. Não adianta eu ir lá fora, para buscar o que está junto de mim e interagir, e trazer o retorno tão propagado do IFPA chegar ao cerne das comunidades carentes”, expõe.

 

“Nossa dificuldade principal foi escrever os artigos, pois parte de nossos autores são alunos do ensino médio que ainda não tinham experiência da escrita científica. Mas, nos reunimos em grupos com os orientadores trabalhando diretamente com os alunos. No Campus Itaituba, nós temos o programa de Bolsa e Iniciação Científica desde 2011, e desde lá, temos oferecido, periodicamente, discussões, fóruns, eventos internos como a Feira de Ciências e Mostra Científica de Itaituba-PA (Fecmita), que orienta nosso aluno a pensar e escrever cientificamente. Aos poucos, a gente está conseguindo os frutos deste trabalho”, garante Professora Liz.

 

“Com esta obra em mãos, meu sentimento é de gratidão. Esta é uma obra de Itaituba para Itaituba, respeitando os Arranjos Produtivos Locais (APLs). Em nome do Campus e de todos os nossos alunos, agradeço à equipe da Proppg pela iniciativa de criar a Editora. Um Instituto Federal que não tem uma editora é silencioso, e com a editora podemos fazer barulho. Agora podemos levar nosso barulho para que as comunidades recebam suas respostas. Em especial, agradeço aos professores e alunos do Campus Itaituba que acreditaram no trabalho e ajudaram, com bastante esforço, com baixo investimento em pesquisa, obtivemos um produto robusto que pode ajudar no desenvolvimento de políticas públicas locais”, resume Professora Liz.

 

Etnografias do afeto: construindo relações de parentesco, aliança e sexualidade em sociedade em transformação

 

Professor de Sociologia no Campus Belém, em licença para o Doutorado em Antropologia, organizador da obra “Etnografias do afeto: construindo relações de parentesco, aliança e sexualidade em sociedade em transformação”, Breno Rodrigo Oliveira de Alencar, explica que a obra é um produto coletivo em parceria com pesquisadores mexicanos, americanos e filandeses. “O trabalho iniciou em 2015, de um congresso em que participei no México. Durante um seminário, acabamos compartilhando temas como sexualidade, gênero e relações de aliança – nome dado a casamento. Dessa discussão acabou rendendo material para o edital de 2016. A obra, em si, trata das relações de parentesco, sexualidade, casamento e as mudanças que a sociedade está sofrendo no âmbito dos valores, sobretudo familiares e sexuais e, mais recentemente, das relações interpessoais. A pesquisa ocorreu em vários contextos, localidades rurais e cidades do México e Estados Unidos. Eu contribuo com um artigo que fala sobre curso de noivos em Belém. Para ler esta obra é preciso mente aberta para entender a diversidade como as pessoas se relacionam no mundo, sobre tudo nas relações amorosas, de como é que as pessoas vivem suas relações afetivas com as outras, como a sexualidade tem importância nisto, de que modo a sociedade e a cultura estabelecem padrões e normas que, muitas vezes, causa sofrimento ou rompimento dos modelos em benefício de satisfazer seus próprios desejos e necessidades ou interesses afetivos”.

 

“Eu chamo a atenção do leitor para o prefácio do livro, pois além de ter coragem de pesquisar este tema e publicá-lo, sabendo das mudanças institucionais que vem atingindo o Brasil nos últimos três anos, a gente sabe que isto aqui no MEC não passaria. A obra é uma joia rara que está disponível ao público. Considero muito relevante um Instituto Federal, voltado à tecnologia, ter um grupo de pesquisa de Cultura, Educação e Política, que é o nosso grupo de pesquisa, ter a oportunidade de oferecer este conhecimento aos acadêmicos. Agradeço imensamente à Carolina pelo nosso diálogo e tentativas de solucionar questões de diagramação e tradução. Parabenizo também os envolvidos nos demais livros entregues hoje”, congratula Professor Breno.

 

 

Professor Breno garante que a conclusão deste trabalho não se mede pelo desejo, mas pela capacidade técnica e competência das pessoas envolvidas. “Publicar um trabalho no Brasil, não é algo fácil. É muito difícil conseguir publicação em periódicos, e em livro, a dificuldade é ainda maior. Como nossos autores trabalham com pesquisa etnográfica, ficam muito tempo longe da internet e isso atrasou reunir todos os materiais. Eu agradeço ao IFPA por oportunizar aos pesquisadores e aos alunos o contato com a publicação acadêmica, porque ela é a principal forma de divulgar os seus conhecimentos, a produção dos alunos, seus pesquisadores e de todo corpo técnico da instituição. Agradeço, em especial, a Professora Ana Paula, por liderar este processo dentro da Proppg. Cumprimento a Valéria e a Carolina que tomaram parte deste processo como atores que estão trabalhando para a sistematização destas publicações e da diagramação dos livros. Que tudo isso possa nos alçar em um patamar ainda maior de publicações acadêmicas”.

 

Texto: ASCOM IFPA Reitoria

 

 

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