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Campus Marabá Rural oferta curso voltado para indígenas

  • Publicado: Sexta, 06 de Março de 2020, 17h26
  • Última atualização em Sexta, 06 de Março de 2020, 21h02
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O Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Marabá Rural, divulgou o resultado do Processo Seletivo Especial dos Cursos Técnicos de Nível Médio em Magistério e Agroecologia, na forma integrada, para indígenas jovens e adultos. Ao todo, foram 101 indígenas Parakanã aprovados no Processo, 33 para o Curso de Agroecologia e 68 para Magistério. As aulas iniciam no dia 10 de Março e ocorrem dentro da própria Terra Indígena, nos municípios de Novo Repartimento e Itupiranga, atendendo cerca de 15 aldeias.

O Processo Seletivo foi desenvolvido em duas etapas, na primeira houve análise de Histórico Escolar do Ensino Fundamental e, na segunda, foram realizadas entrevistas coletivas na aldeia Maroxewara, localizada no município de Itupiranga, e no Centro de Formação denominado Taxaokowera. Nessa segunda fase, os candidatos apresentaram interesse em relação aos cursos e manifestaram o comprometimento com o processo de formação ao IFPA, aos caciques e lideranças indígenas, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Programa Parakanã.

O Edital é fruto de um Acordo de Cooperação Técnica entre o IFPA e a Funai, firmado em setembro de 2019, com vigência de dez anos. O Acordo tem como objetivo a cooperação técnica-científica, administrativa e operacional entre as instituições, visando à implantação e oferta de cursos de formação profissional nas modalidades e níveis da educação profissional, prioritariamente cursos técnicos na forma integrada, com vistas a atender às demandas e necessidades específicas de formação aos povos indígenas no âmbito do Estado do Pará.

“A demanda dos povos indígenas Parakanã pelo direito à Educação Escolar Indígena de Nível Médio teve início ainda em 2017, a partir das Conferências Municipais de Educação realizadas pelos municípios de Itupiranga e Novo Repartimento. A partir disto, as Secretarias Municipais de Educação de Novo Repartimento e Itupiranga buscaram estratégias frente a instituições de ensino, para viabilizar o atendimento desta demanda, dentre estas, esteve o Campus Rural de Marabá”, conta a Professora Shauma Nascimento, que atuou na organização dos cursos.

A construção dos cursos de Magistério e Agroecologia se deu através de visitas periódicas feitas pelo IFPA e a Funai à Terra Indígena Parakanã, durante o ano de 2018. A Direção de Ensino do Campus Rural de Marabá, à época professora Shauma Nascimento, e as servidoras da Coordenação Regional do Baixo Tocantins da FUNAI, Richelly da Costa e Sayuri Aragão, vinculadas ao Serviço de Promoção dos Direitos Sociais e Cidadania (Sedic), realizaram reuniões com as lideranças das aldeias dos municípios de Novo Repartimento e Itupiranga, para a escuta acerca do formato dos cursos demandados.

“Alguns dos elementos que nortearam a construção dos cursos foram: domínio de conhecimentos científicos de gestão territorial e manejo das atividades produtivas existentes, domínio da língua portuguesa, sistematização e aprendizado da língua materna awaete xeenga e formação de professores. Acrescenta-se ainda que esta construção tomou como ponto de partida experiências educacionais anteriores do Campus Rural de Marabá, entre elas, o Curso de Agroecologia integrado ofertado aos povos indígenas do sudeste do Pará, e Projeto Iboerebu, com os cursos de Agroecologia, Magistério e Enfermagem”, explica Shauma Nascimento.

As ações educacionais a serem realizadas são orientadas pela perspectiva intercultural e visam dialogar com as pedagogias indígenas, considerando saberes e práticas tradicionais e formas próprias de organização social. Pretende-se assegurar aos povos o direito a uma educação de qualidade, que respeite e valorize os conhecimentos e saberes próprios.

Para a liderança indígena do povo Parakanã, os cursos têm muito a oferecer. “Essa formação é muito importante para o povo Parakanã, para podermos formar os Parakanãs como professores, enfermeiros e ajudarmos os nossos povos, melhorarmos a educação, aprendermos mais a falar português para podermos fortalecer as nossas culturas e podermos lutar pelos nossos direitos, para que nós mesmos possamos resolver as coisas na cidade, conversar com o pessoal da Funai, Unifespa, UFPA, Eletronorte. Tudo isso estamos esperando com essa formação”, defende o indígena Moroyroa Parakanã, um dos aprovados no curso de Magistério.

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