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IFPA oferta curso de libras aos servidores

  • Publicado: Segunda, 26 de Novembro de 2018, 18h26
  • Última atualização em Segunda, 26 de Novembro de 2018, 18h27
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Campus Belém solicita curso para melhor atender alunos surdos e promover a inclusão comunicativa

 

Aconteceu, de 19 a 23 de novembro, a primeira etapa do curso de Libras ofertado pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP) do Instituto Federal do Pará (IFPA). Essa foi uma solicitação da chefia do Departamento Pedagógico de Apoio ao Ensino (DEPAE) e Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) do IFPA, Campus Belém, diante da demanda gerada pela matrícula de três estudantes surdos no curso de Técnico em Design. O curso foi ministrado pelo especialista e docente de Língua Brasileira de Sinais (Libras) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), José Sinêsio Torres Gonçalves Filho, com o auxílio da intérprete de Libras do Campus Belém, Bethânia Alves Sena.

 

Com bom humor e amplo domínio do ensino de Libras, o professor optou por aulas expositivas, com dinâmica de grupos, conteúdos ilustrados, uso de recursos audiovisuais, socialização de leituras, atividades individuais e em grupo. Os participantes puderam ampliar os conhecimentos acerca da cultura e identidade surda para que pudessem ter noções sobre Libras.  O curso buscou fomentar o respeito aos surdos e à sua cultura para despertar consciência sobre a necessidade de promover a acessibilidade comunicativa aos sujeitos surdos. As aulas foram ministradas em Libras e em Língua Portuguesa simultaneamente.

 

A coordenadora de Desenvolvimento de Avaliação da DGP, Deize dos Santos Gonçalves Freire, explica que diante da solicitação do Napne Belém, o curso foi pensado para os professores e servidores terem noção de como é e como surgiu a Língua de Sinais, como o sujeito surdo percebe o mundo e como é feita a comunicação com estes alunos. Por isso, neste primeiro momento, contemplou assuntos como: alfabeto manual, numerais, saudações e despedidas, pronomes, profissões, materiais, verbos, cores, dias da semana, meses, expressões temporais, animais e família. Ainda serão ofertados mais três módulos do curso para os alunos terem a chance de ampliar o conhecimento sobre Libras. A próxima etapa será de 17 a 21 de dezembro.

 

Para o servidor saber como agir e se comunicar com os surdos, este primeiro módulo do Curso de Libras foi uma orientação sobre a comunicação entre ouvintes e pessoas surdas que se dá por meio do alfabeto e dos sinais básicos. O professor Sinésio, no primeiro dia do curso, explicou que há uma separação entre a comunicação entre ouvintes e a feita pelos surdos. “Os surdos têm noção da comunicação entre ouvintes, se esforça, fala errado e até estranho, mas é difícil para eles, pois o problema não é nas cordas vocais, mas na audição, eles não escutam. Já o ouvinte precisa compreender os surdos, aprender Libras, precisa superar as barreiras culturais para conversar e incluí-los. Os ouvintes precisam querer entender a pessoa surda, não podem ignorá-las, deixá-las para lá porque acha chato ou cansativo aprender Libras”.

 

O professor complementa que os surdos se sentem mal, tristes, quando os professores só brigam e não os compreendem, pensam em largar a escola, ficam revoltados. “Mas, quando se usa Libras resolve-se este problema. Os surdos gostam de estudar, fazer cursos como design, por exemplo, mas os professores precisam entender e evitar os ditados, pois os surdos não escutam, as aulas precisam ser adaptadas. Eles são muito perceptivos, precisam do visual. Para conhecer Libras, basta fazer os cursos, se envolver com a comunidade surda. Os surdos não percebem a diferença de fonemas, por exemplo, “fa”, “da”, “la”, pois têm a mesma articulação. O som faz diferença apenas para os ouvintes, não para os surdos, por exemplo, o “t” e “d”, “p” e “b”. O surdo não tem como perceber a diferença, então o alfabeto manual vem para facilitar a compreensão”, afirma Sinésio durante a aula.  

 

Sinésio explica que o ideal é ter pelo menos 4 intérpretes de Libras por Campus e que os servidores soubessem Libras para se comunicar com o surdo. Ressaltou que é importante a sociedade e a comunidade do IFPA se preparar para proporcionar uma educação para todos, acessível à diversidade lingüística, não apenas acessível fisicamente, mas acessibilidade comunicativa. Acredita que aulas inclusivas irão atrair ainda mais estudantes surdos para o Instituto.

 

O técnico da DGP do IFPA Gabriel Castro Santos, um dos estudantes do curso, comenta que sempre teve vontade de conversar com pessoas surdas, mas não tinha domínio de Libras. “Eu ainda não tinha tido a oportunidade de fazer o curso de libras e agora mais do que nunca vi uma necessidade de aprender libras para conversar com um colega servidor que é surdo. Como a coordenação da qual eu faço parte tem em seu plano de capacitação um projeto para ofertar cursos de Libras eu vi aí uma oportunidade de aprender libras. Pretendo fazer um curso de inglês também, mas priorizei libras, pois pensei "por que não fazer primeiro Libras se é a segunda língua oficial do Brasil?”“, comenta.

 

“Independente de ter o foco em educação especial, para nós professores que atuamos no magistério, considero indispensável o curso de Libras. O mesmo vale para qualquer profissional que atue com ensino, os técnicos administrativos, os diretores e coordenadores. Todo profissional que atua com ensino deve ter este contato e aprofundamento dentro do universo do surdo, do cego, da pessoa que é cadeirante, das pessoas que têm necessidade especiais - física, motora e mental-, por que a gente precisa estar trabalhando com este aluno, ele não pode estar só inserido, ele precisa ser incluído no ambiente escolar”, ressalta a estudante de Pedagogia no IFPA, Campus Belém, Layana Mayumi Murakami Kawakami que também fez o curso de Libras. 

 

O Campus Belém tem, neste semestre, cadastrado no Napene, 12 alunos com deficiência. “São quatro surdos, quatro com deficiência visual e outros quatro com deficiência física diversa. Temos, também, alunos com deficiência de aprendizado. Nossa gestão vem fazendo, desde 2016, um trabalho de atendimento e acompanhamento destes alunos, adaptação de material. Contamos com uma equipe multidisciplinar composta por duas psicólogas, uma assistente social, uma intérprete de Libras, uma assistente de aluno, eu como professora e alguns estagiários de licenciatura envolvidos neste trabalho. Promovemos, anualmente, o Encontro Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, este ano o encontro aconteceu em setembro. A gente tem um curso de Libras que é semestral, que já está na terceira edição. Com isso, estamos buscando melhorar o atendimento a estes alunos. Nós pedimos este curso, pois a gente sabia que iria entrar quatro alunos surdos neste semestre e queremos atendê-los da melhor forma possível”, explica a chefe do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) do IFPA, campus Belém, professora Dra. Priscila Giselli Silva Magalhães. 

 

Texto: ASCOM IFPA Reitoria

 

 

 

 

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