Campus Óbidos do IFPA conquista primeiro lugar na I Olimpíada Brasileira das Relações Étnico-Raciais com produção de podcast
O Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Óbidos, alcançou destaque nacional ao conquistar o primeiro lugar na Olimpíada Brasileira do Ensino das Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (Obereri). Representado pela equipe “Quilombo Pauxi”, o campus demonstrou excelência ao longo de todas as etapas da competição.
O destaque da equipe foi o podcast “Vozes da Diversidade”, uma produção de 20 minutos que abordou o tema “Relações Étnico-Raciais: Indígenas e Negros no Brasil”. O trabalho explorou histórias e vozes frequentemente silenciadas, destacando a importância da diversidade e da inclusão. A criatividade e o impacto do projeto garantiram à equipe a medalha de ouro na fase nacional.
Além do reconhecimento, os estudantes receberam uma Bolsa de Iniciação Científica Júnior (BIC-Júnior) no valor de R$ 300,00, financiada pelo CNPq, que será concedida por um período de dez meses.
A Obereri reuniu 354 equipes de vários estados brasileiros na sua etapa final, foi um espaço para o debate e estudo das relações étnico-raciais no Brasil.
Desafios superados em busca da inclusão
A montagem da equipe foi o primeiro desafio a ser vencido. A composição incluiu participação de estudantes indígenas, mulheres e negros. Seguiram-se outras etapas rigorosas, como uma avaliação teórica de quatro horas sobre História e cultura afro-brasileira, africana e indígena, a elaboração de um projeto artístico-pedagógico, a produção de uma redação na fase estadual e, por fim, a apresentação de um produto multimídia na fase nacional.
Diversidade, aprendizado e nova visão
A equipe “Quilombo Pauxi” foi formada por estudantes de cursos técnicos diferentes: Técnico em Floresta, Dhemerson da Silva Sampaio; Técnico em Informática, Renato Souza de Góis e Thiago Pinheiro Moraes; Técnico em Agroecologia, Daniela dos Santos Paz e Kamilly Vitória Mascarenhas da Silva; Técnico em Desenvolvimento de Sistemas, Enzo Henrique Correa Santos; Técnico em Meio Ambiente, Laiane Araújo Lima, Sara Caroline Pinheiro de Souza, Yasmin Santos Silva e Janaina de Melo Silva.
Para a estudante Daniela dos Santos Paz,18 anos, essa olimpíada foi uma experiência única, um exercício político e transformador e que os ajudou a ter mais consciência e preparo para enxergar o mundo com olhos mais humanizados, diversos e inclusivos. Ao longo dos cinco meses de competição, enfrentaram diversos desafios relacionados à rotina e horários de estudos de cada estudante. Foi preciso flexibilidade e disponibilidade para superá-los. “Foi um exercício de responsabilidade, resiliência e, principalmente, sobre o poder do trabalho coletivo mesmo em momentos difíceis”, explica.
Educação como forma de resistência e transformação
Ao longo da competição, os alunos foram desafiados a desconstruir narrativas históricas eurocentradas e a valorizar as vozes silenciadas dos povos africanos e indígenas. "A Obereri nos provoca a refletir sobre as injustiças históricas e nos convida a pensar numa educação antirracista e decolonial", afirmou Daniela dos Santos. A estudante também ressaltou a inspiração que encontrou em pensadores como Djamila Ribeiro e Ailton Krenak, cujas ideias ampliaram seu entendimento sobre inclusão e justiça social.
Daniela dos Santos relata que a frase de Djamila Ribeiro “ser antirracista não é um lugar de chegada, é um compromisso diário” os marcou muito, porque mostra que “aprender sobre essas questões é uma responsabilidade constante, não apenas uma etapa do ensino”.
Reconhecimento e impacto do trabalho coletivo
Para a professora orientadora Iza Luciene Mendes Regis, o sucesso alcançado pelos estudantes reflete não apenas o alto nível de comprometimento, mas também a força do trabalho colaborativo. "Tentei fazer com que os alunos compreendessem a importância do trabalho coletivo, e penso que alcançamos esse objetivo", afirmou.
A docente destacou ainda a atitude dos estudantes ao decidir dividir a bolsa de pesquisa, demonstrando a essência da visão de mundo dos povos ancestrais: "Somos mais fortes quando estamos unidos."
Obereri, um exercício de aprendizado e inclusão
A OBERERI é uma iniciativa da Associação Brasileira dos Pesquisadores Negros e Negras (ABPN). A competição recebe apoio do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A competição busca promover a valorização das culturas afro-brasileira, africana e indígena, de acordo com as diretrizes das Leis 10.639/03 e 11.645/08. Em seu primeiro ano, premiou 52 equipes, busca fortalecer a luta por uma educação antirracista e inclusiva.
A competição foi estruturada em cinco fases: Sensibilização (fase preparatória, ocorreu em agosto de 2024); Estudos e Preparação (socialização de materiais e formação com as equipes, ocorreu em setembro de 2024); Fase Estadual - competitiva (prova de múltipla escolha, ocorreu em outubro de 2024); Fase Regional - competitiva (Escrever um artigo de opinião ou redação e Elaborar um Plano de Trabalho ou Projeto de Intervenção Artística, ocorreu em novembro de 2024); e por último a Fase Nacional - competitiva (Produção de um vídeo ou podcast, dezembro de 2024).