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IFPA realiza aula inaugural do Programa Partiu IF

  • Publicado: Quarta, 30 de Abril de 2025, 17h11
  • Última atualização em Quarta, 30 de Abril de 2025, 17h11
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A tarde do terça-feira, dia 29, foi de boas-vindas aos mais novos estudantes do Instituto Federal do Pará (IFPA). Eles (ainda) não são discentes regulares da instituição, mas almejam seres calouros do Ensino Técnico Integrado ao Ensino Médio já no próximo ano. São alunos e alunas do 9º ano de escolas públicas selecionados para participarem do Programa Partiu IF. 

O Programa é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), que objetiva reduzir as desigualdades no acesso à educação tecnológica de excelência, ofertada pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. 

“Construir um programa como esse, que observa e acolhe crianças, pré-adolescentes, para seguirem a carreira educacional, acadêmica, social, dentro de instituições federais, da educação profissional, científica e tecnológica, para nós é um motivo de muito orgulho, enquanto gestores públicos, enquanto professores e professoras, nosso imenso orgulho de estar participando deste momento”, avalia Cleber Vieira, coordenador nacional do Programa, pela Secadi.

A ideia é preparar estudantes da rede pública na transição do Ensino Fundamental para o Técnico de nível Médio, buscando o aumento do ingresso, na instituição, de estudantes negros, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda, superando desigualdades raciais e sociais. 

Para Flávio Solano, Diretor de Educação Básica, Profissional e Educação do Campo da Pró-reitoria de Educação do IFPA, o Partiu IF é fundamental para a permanência e êxito dos estudantes. “Essa possibilidade que o Programa traz, de você poder ter esse período, de mais ou menos oito meses, e poder ter esse convívio, esse contato com a população técnica e tecnológica, que são os nossos cursos oferecidos pelo Instituto Federal, é importante também nesse amadurecimento desses alunos. A gente tinha uma dificuldade muito grande no ingresso desses alunos, quanto à situação que considerávamos como um nivelamento”, explica.

Para isso, os estudantes terão aulas, no contraturno de seu ensino regular, de Matemática, Língua Portuguesa e Ciências da Natureza, identificadas como gargalos para a permanência de novos discentes dos Institutos Federais, oriundos de escolas públicas.

De acordo com Gracielly Fontes, coordenadora institucional do Partiu IF, os estudantes serão acompanhados três vezes por semana, por equipes nos Campi envolvidos – formadas por um coordenador pedagógico, além de psicólogo ou pedagogo, em cada um –, durante oito meses, inclusive para orientações acerca das inscrições para o Processo Seletivo Unificado (PSU) da instituição.  O Programa prevê ainda o envolvimento direto dos responsáveis pelos estudantes, a fim de uma maior inserção desse grupo na instituição. “O envolvimento dos responsáveis é de fundamental importância para o sucesso dos alunos”, declarou Gracielly. 

“Esses oito meses estão sendo planejados com muitas ações que vão auxiliar bastante, não só essa entrada na instituição – porque a gente vai estar junto com os alunos no passo a passo, a gente vai passar pelo processo seletivo da instituição junto, a gente vai estar caminhando de mãos dadas, para que a gente possa dar esse passo também lá na frente –, a gente vai estar também fortalecendo essas disciplinas que é do ensino regular de vocês”, afirmou a coordenadora.

“A educação é um direito de todos e dever do Estado. Dentro desse contexto maior, a gente tem a extensão e o ato extensionista se fazendo presente aqui nesse Programa, celebrando a comunidade na nossa instituição e dentro das nossas instituições. Nosso corpo docente, nosso corpo administrativo, as nossas instalações estão aqui para bem servi-los, fazer com que a educação seja uma educação de equidade, inclusiva”, completou Rita de Cássia Vasconcelos, diretora de Extensão do IFPA campus Belém.

No Pará, o Partiu IF é ofertado pelo IFPA nos municípios de Belém, Breves, Itaituba e Óbidos. Com 40 vagas em cada localidade, totalizando 160 contemplados. No Brasil todo, de acordo com o coordenador nacional do Partiu IF, são certa de 149 turmas, somando cerca de 26 mil estudantes. Somente em Belém, por exemplo, foram mais de 200 inscritos, 76 inscrições deferidas, dos quais foram sorteados os 40 contemplados pelo Programa. Os selecionados são estudantes de 14 e 15 anos, do 9º ano do Ensino Fundamental, que estudam em escolas da rede pública desde o 1º ano e pela manhã – já que as aulas ocorrem pela tarde. Além das aulas, receberão uma bolsa-auxílio de R$200,00.

 “Nós temos muita esperança de que este projeto consiga impactar a vida de cada um de vocês. A esperança não é apenas na trajetória destes estudantes que estão aqui neste momento, que representam também suas famílias, seus familiares, seus amigos e, às vezes, seu bairro e sua rua, mas também é uma esperança na educação brasileira, uma esperança na importância da Educação Pública nos Institutos Federais, e aqui, especificamente, no Instituto Federal do Pará”, concluiu Cleber Vieira.

 

Aula Inaugural

A aula inaugural do Programa Partiu IF no IFPA aconteceu, na tarde do dia 29, não somente em Belém, mas também nos outros municípios envolvidos: Breves, Itaituba e Óbidos. A ideia era juntar os estudantes e responsáveis em um momento de apresentação e de solucionar dúvidas, fosse sobre o Programa ou sobre o ingresso na instituição.

“Esse é um programa que vai atender realmente uma parcela da nossa comunidade, da sociedade paraense, que precisa realmente desse apoio. Nós precisamos fazer com que a educação e a educação profissional tecnológica cheguem realmente aonde precisa chegar: nas nossas comunidades, principalmente naquelas regiões bem específicas do nosso estado, aos quilombolas, ribeirinhos, comunidades indígenas”, avaliou Hélio Almeida, diretor do Campus Belém. 

Segundo a Pró-reitora de Extensão, Keila Mourão, alcançar uma porcentagem relevante do território paraense com maior equidade possível é objeto de interesse do IFPA. “Esse é um dos motivos pelos quais o Governo investe nos Institutos Federais: porque a gente chega em regiões do Brasil aonde a universidade, por ter uma capilaridade menor, não chega. Então o Instituto chega mais”, afirma, lembrando que o IFPA tem 18 campi e em breve terá implantado mais cinco.

Keila lembrou ainda que a instituição possibilita ainda a verticalização do ensino, que seria a continuidade do ensino, avançando os níveis, do ensino Técnico de nível Médio até o Doutorado. Assim, o Partiu IF não garante o ingresso, mas aumenta as chances desses estudantes enquanto candidatos. “Então, esse programa vem exatamente para isso, para dar essa oportunidade para que todos e todas nesse país tenham a educação pública de qualidade igual a todo mundo. Infelizmente, a gente sabe que isso ainda não é realidade no nosso país. As divisões são grandes, os abismos são enormes e grandes. A gente sabe disso”, conclui.

 

Início de um sonho

De acordo com Luciana Cardoso, mãe de Laerte Saraiva, um dos estudantes contemplados, ingressar no IFPA é um sonho para seu filho desde a metade do Ensino Fundamental. De acordo com a genitora, quando souberam da oportunidade das aulas do Programa Partiu IF, eles ficaram empolgados e “mergulharam de cabeça”. Feliz com a conquista, Luciana acredita que o Programa “vai ajudar muito ele, não só no estudo regular, mas também na formação profissional dele e também no crescimento dele, em todos os sentidos”.

Laerte, também não conteve a felicidade. Estudante da Escola Antônio Texeira Gueiros, em Ananindeua, o garoto reafirma as palavras de sua mãe sobre o sonho de estudar no IFPA. Ele, que gosta de matemática, mas admite a dificuldade em Língua Portuguesa, ainda não decidiu que curso técnico pretende fazer, mas reconhece o valor do Programa como um primeiro passo para ingressar na instituição. “Eu vejo que é muito importante porque o IF é uma das melhores escolas, é uma escola federal e pública. Eu vi essa oportunidade, mergulhei de cabeça, como minha mãe disse, e eu gostei muito, estou gostando muito de estar aqui. Eu espero que eu passe aqui também no Ensino Médio, que eu faça o curso técnico e que eu consiga ser feliz aqui”, comemora o estudante.

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