IFPA Altamira inicia Curso de Magistério Indígena Xikrin na aldeia Pot-Krô
O Campus Altamira do Instituto Federal do Pará (IFPA) realizou, na terça feira, dia 22 de julho de 2025, a aula inaugural do curso de Magistério Indígena Xikrin na aldeia Pot-Krô, território do povo Xikrin do Bacajá. A cerimônia marcou o início do Primeiro Tempo Escola e reuniu os estudantes, lideranças indígenas, representantes da Secretaria Municipal de Educação de Altamira (Semed), do Projeto TEMEX, além da equipe de gestão do campus e coordenadores do curso.
A iniciativa busca formar 50 professores indígenas por meio da modalidade Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), voltada para a atuação na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental nas escolas da Terra Indígena Trincheira Bacajá. O curso foi desenvolvido em resposta às demandas das lideranças Xikrin e tem como base pedagógica a alternância entre Tempo Escola (formações presenciais na aldeia) e Tempo Aldeia (aplicações práticas nas comunidades de origem).
Durante a solenidade, o compromisso institucional com a educação escolar indígena foi reafirmado, destacando os princípios da interculturalidade, bilinguismo e valorização dos saberes tradicionais. A celebração contou com cantos e danças típicas do povo Mebêngôkre, fortalecendo a identidade cultural e o protagonismo Xikrin.
“Esse curso é uma esperança para o nosso povo. É a chance de formar nossos próprios professores, que conhecem nossa língua, nossa cultura e nossas lutas. Vamos poder ensinar nossas crianças com mais autonomia e dignidade,” afirmou a liderança do povo Xikrin, representante do Alto Bacajá, Bepkra Xikrin.
O curso é fruto de uma articulação entre o IFPA, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Semed e a Prefeitura de Altamira, com apoio do Território Etnoeducacional do Médio Xingu. O plano foi aprovado pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC), que garantiu os recursos necessários para sua execução.
“Este curso representa um marco histórico no compromisso do IFPA com a valorização das identidades indígenas e a promoção de uma educação realmente inclusiva e intercultural. É um passo importante para formar educadores que atuem em defesa de seus territórios, línguas e saberes”, avaliou o diretor geral do IFPA Campus Altamira, Bruno Francisco.
Para o IFPA, a formação representa não apenas um avanço educacional, mas também um passo importante na construção de um modelo de ensino diferenciado e de qualidade, alinhado às especificidades socioculturais e linguísticas dos povos originários da Amazônia.
“Mais do que um curso, essa formação é uma conquista coletiva. Ela surge do diálogo com os povos indígenas e visa fortalecer o protagonismo desses futuros professores na construção de uma educação contextualizada, pensada a partir das realidades e das necessidades das comunidades”, ressaltou o coordenador do curso de Magistério Indígena, Professor Antonio Eduardo Lucena.