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Estética amazônica é destaque em conferência internacional em Londres

  • Publicado: Sexta, 08 de Agosto de 2025, 11h33
  • Última atualização em Sexta, 08 de Agosto de 2025, 11h33
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O Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Breve garante mais um feito no mundo científico e acadêmico com a apresentação do trabalho “A Plenitude estética do elemento natural: Hegel e as abordagens metalógicas brasileiras”, resultado do projeto de pesquisa Estética e Filosofia da Arte: conexões entre estética e política. A pesquisa foi destaque na “Society for European Philosophy Annual Conference 2025”, um evento realizado no King’s College, em Londres, entre os dias 7 e 9 de julho, que reuniu pensadores de diversas partes do mundo.

O autor da pesquisa é o professor de filosofia no Campus Breves, o administrador e filósofo Dr. Rodrygo Rocha Macedo, 43, natural de Fortaleza-CE. Ele leciona para estudantes dos cursos técnicos integrados ao nível médio de Agropecuária, Informática e Meio Ambiente. E leciona, também, em cursos de Licenciatura em Educação do Campo.

Sua pesquisa propõe conexões entre arte, política e paisagem amazônica. O trabalho foi destaque na mesa “Outras epistemologias”, ao lado de pesquisadoras da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Leipzig (Alemanhã). A proposta chamou atenção por trazer perspectivas do Sul global para o debate filosófico europeu vigente.

Macedo, no artigo, propõe uma releitura de temas hegelianos a partir da perspectiva amazônica. Seus estudos apontam que Hegel, filósofo alemão do século XIX, influenciou profundamente áreas como estética, lógica e filosofia do direito. Ele afirma que pensadores brasileiros como Denise Ferreira da Silva e Newton da Costa dialogam com precisão com esses temas, propondo novas abordagens para dilemas contemporâneos. “A contribuição que tento fazer é evidenciar pensadoras e pensadores brasileiros que não apenas ampliam os conceitos dos filósofos consagrados, mas propõem novos conceitos para dilemas filosóficos”, destaca.

O trabalho de Macedo parte de uma fotografia do rio Pracupi, utilizada como ponto de partida para discutir a relação entre lógica e estética. Embora ainda não publicado, o artigo foi submetido à conferência como forma de testar sua viabilidade argumentativa. A expectativa é que o texto seja finalizado e publicado até o fim de 2025.

A “plenitude", na pesquisa de Macedo, é um tema central. E trata-se de um termo usado no sentido dado pelo filósofo alemão do séc. XVIII Gottfried Leibniz, ou seja, o grau de vinculações entre todas as coisas do mundo. “Ela explicaria que o elemento natural teria uma propriedade que seria só dele, que não precisaria ser projetado nele pelo olhar humano. As coisas na natureza seriam belas em si, e não belas “para alguém”. A premissa de que tudo está conectado no universo explicaria que a beleza dos elementos naturais se articularia com a inteligência humana”.

Origem da pesquisa

A pesquisa é fruto do Projeto “Estética e Filosofia da arte: conexões entre arte e política”, desenvolvido no Campus Breves do IFPA. O projeto é apoiado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Proppg) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Edital 05/2024 – PIBICTI/PROPPG/IFPA/CNPq. Os encontros do projeto têm sido fundamentais para consolidar uma estética amazônica como campo de investigação filosófica.

A participação no evento internacional já começa a gerar frutos. Segundo Macedo, pesquisadores europeus demonstraram surpresa ao descobrir que há produção filosófica ativa em um arquipélago amazônico do tamanho da Suíça. Uma pesquisadora britânica manifestou interesse em desenvolver estudos na região, evidenciando o alcance da pesquisa brasileira.

O projeto apresentado nasceu de vivências na Floresta de Caxiuanã, onde Macedo visitou comunidades ribeirinhas e registrou imagens que inspiraram reflexões sobre uma estética própria da Amazônia. A ideia central é que a natureza possui beleza intrínseca, como sugerido por Leibniz, e essa beleza pode revelar relações de poder e produção artística.

A pesquisa, iniciada em 2024, envolve bolsistas do campus Breves do IFPA e será tema de trabalhos no XVII SICTI. Segundo Macedo, o reconhecimento internacional mostra que a filosofia produzida na América Latina desperta interesse e respeito entre pesquisadores europeus.

O apoio institucional foi essencial para viabilizar a viagem a Londres. Ele relata que a Proppg destinou R$ 5.000,00 por meio do Edital nº 02/2025 – APEC/PROPPG/IFPA. Parte dos custos foi coberta pelo próprio pesquisador, mas o suporte da Direção Geral do Campus Breves e da Chefia de Gabinete garantiu o cumprimento das exigências administrativas. “O apoio do professor Alexandre Nunes e de Jaqueline Moraes foram cruciais a minha participação no evento”, agradeceu Macedo.

A participação em uma conferência desse nível reforça a relevância da investigação filosófica desenvolvida na Amazônia. Para Macedo, o acolhimento no evento indica que o IFPA está no caminho da excelência acadêmica e já é notado por instituições de renome mundial. Ele acredita que investigar o mundo a partir da floresta permite às estudantes e aos estudantes do IFPA desenvolver novas formas de pensar.

O Campus Breves está pronto para acolher quem deseja viver a pesquisa com respeito e profundidade. “A partir de agora, um grupo importante de pesquisadores europeus de Filosofia descobriram que no meio do Rio Amazonas existe um arquipélago do tamanho da Suíça, o Marajó, e que nesse arquipélago existe uma instituição de ensino federal onde há projetos de pesquisa em Filosofia sendo executados”.

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