IFPA Parauapebas e Vigia brilham em lançamento de foguetes no Rio de Janeiro
Estudantes dos campi Parauapebas e Vigia do Instituto Federal do Pará (IFPA) conquistaram destaque na última edição da 72ª Jornada de Foguetes, competição nacional que desafia equipes escolares a projetarem e lançarem foguetes de garrafa PET com o maior alcance possível. O evento foi realizado entre os dias 15 a 18 de setembro, na Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí (RJ). A competição é organizada por membros da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Os campi trouxeram duas medalhas de ouro, cinco de prata, cinco de bronze, troféus e certificados de campeã, vice-campeã e menção honrosa pela participação. Ao todo, foram 12 estudantes do IFPA premiados pela participação no evento.
Organizados em cinco equipes, os estudantes competiram na Turma 5, Nível 4 da Jornada de Foguetes, nível que reunia estudantes do ensino médio que utilizam bicarbonato de sódio e vinagre para a propulsão dos foguetes. A Turma 5 reuniu 96 equipes medalhistas da 19ª Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).
Além dos lançamentos experimentais, os participantes e seus orientadores tiveram acesso a oficinas, palestras e atividades práticas.
Do IFPA Parauapebas foram para o Rio de Janeiro quatro estudantes do curso Técnico em Mecânica conhecidas no Campus como “As Mosquitas” – Amanda Gisele Oliveira da Silva e Talita Castro Silva, Ana Maria da Cruz Silva e Lana Hadassa de Oliveira Fernandes–. Elas foram orientadas pela professora Natália Ferreira Vidal.
Já o IFPA Vigia foi representado por estudantes do curso Técnico em Informática organizados em três equipes: “The Goats” – Elton Herick da Silva Lima, Alzira Beatriz Monteiro Favacho e Thayse Soares do Nascimento–, “Astrolab” – Manuelle de Moraes Barbosa, Elaine do Socorro Silva Conceição e Eloanne Célio Silva Conceição –, e “Equipe 16” – Maria Elizandra dos Santos Corrêa e Camilly Dionyela Barriga Araújo. As três equipes contaram com a orientação da professora Ana Alzira Fayal Trovão e Gueive Astur Pena.
Segundo o regulamento da Jornada de Foguetes, são consideradas campeãs as equipes cujos foguetes ultrapassam 210 metros de distância. Já os lançamentos que superam 100 metros recebem o reconhecimento de vice-campeãs. Todos os demais lançamentos recebem menção honrosa pela participação.
As “Mosquitas” representando o IFPA Parauapebas, com duas equipes, mostraram talento, precisão e espírito de equipe. O primeiro lançamento alcançou a impressionante marca de 205,2 metros, garantindo o título de vice-campeã. Já a segunda equipe superou todas as expectativas ao atingir 221,5 metros, conquistando o título de campeã da Turma 5 da 72ª Jornada.
A equipe “The Goats”, do Campus Vigia, também conseguiu fazer tudo que tinha sido planejado e conquistou o título de vice-campeã, com um voo de 138,9 metros. Já as equipes “Astrolab” e “Equipe 16” atingiram exatamente 100 metros e receberam medalhas de bronze, troféus e certificado pela participação honrosa.
Conforme a classificação todos os estudantes participantes da Jornada de Foguetes foram premiados com medalhas em formato de foguete e certificados. E cada equipe recebeu troféu em forma de foguete espacial referente a própria classificação.
Opinião dos medalhistas
A campeã Amanda Silva, 17 anos, relembra que as preparações de sua equipe começaram em maio. A competição exigia conhecimentos das áreas de Física, Química e Matemática. “Essa conquista significa realização de sonhos. É resultado de muito esforço e dedicação. Foi preciso abdicar de alguns momentos pessoais para termos os melhores ajustes, melhores testes e uma melhor preparação”. E afirmou que esse resultado só foi possível graças ao apoio do IF. “Recebemos apoio financeiro educacional e apoio moral. Além de toda dedicação e paciência dos professores para nos ensinar”.
Para as vice-campeãs Lana Fernandes, 18 anos, e Ana Maria, 17 anos, também de Parauapebas, a competição foi emocionante. “Vivenciar isso juntamente com minha equipe foi enriquecedor”. Foi marcante “conhecer pessoas novas, trocar e adquirir ideias, e também aprender um pouco mais com cada uma delas”. Elas afirmam que essa conquista representa um grande marco para Parauapebas e para o IFPA, evidenciando “o quão importante foi o incentivo e apoio que recebemos do Instituto e dos nossos pais”. “Foi um sentimento de realização poder ver que tanto esforço valeu a pena, e poder estar lá com tantas outras equipes abriu a nossa mente para projetos futuros”, avaliam.
A vice-campeão de Vigia Alzira Favacho, 16 anos, comenta sobre a experiência na Jornada de Foguetes destacando que “esta foi uma experiência ótima”. Segundo ela, o processo de construção de foguetes vai muito além da montagem: “Construir um foguete é mais do que juntar peças, é aprender que cada detalhe conta, desde o peso da ogiva, até o corte das aletas”.
Alzira também ressaltou o prazer em lidar com os materiais: “Para mim, foi muito divertido comprar conexões de PVC, canos e ferramentas”. Cada teste realizado trouxe aprendizados únicos: “A cada teste uma conquista e falhas diferentes, porém, sempre com o intuito de melhorar no próximo”.
O evento, segundo ela, foi uma verdadeira fonte de aprendizado coletivo. “O evento em si me proporcionou uma avalanche de conhecimentos novos e ideias compartilhadas pelos colegas, que aliás já estamos colocando em prática, já elaborando o nosso novo projeto de foguete”.
Sobre a viagem ao Rio de Janeiro, Alzira comentou: “Confesso que foi bem cansativa, porém, pode ter certeza que valeu a pena”. Ela ainda destacou o impacto da experiência. “Conhecer o Rio de Janeiro tão novos pode ter certeza que foi uma conquista prazerosa para cada um de nós que participamos”. Ela fez questão de reconhecer o papel do Instituto Federal: “Desde sempre o IFPA vem nos proporcionando momentos únicos, junto com várias oportunidades de projetos, bolsas e experiências marcantes em nossas vidas”.
Alzira ainda refletiu sobre o sentimento que ficou após a competição: “Sem dúvida nenhuma, o que mais nos marcou e está nos incentivando a continuar foi a sensação de que nós conseguimos dar o nosso melhor com o pouco conhecimento que tínhamos, e que com certeza no próximo ano vamos conseguir dar em dobro tudo que aprendemos neste ano, sendo assim, campeões. Nossa palavra-chave é persistência”.
Lana Fernandes, 18 anos, revela que se sentiu lisonjeada em participar da OBAFOG e saber que todos os esforços e pelejas que tiveram valeram a pena. “Vivenciar isso juntamente com minha equipe foi enriquecedor”.
Para quem deseja participar de olimpíada, Lana Fernandes considera que é importante continuar estudando arduamente. “E procure sempre se desafiar se inscrevendo em olimpíadas científicas. Essa conquista significa um grande marco para Parauapebas e para o IFPA, isso só mostra o quão importante foi o incentivo e apoio que recebemos do Instituto e dos nossos pais”.
A Jornada de Foguetes
A Jornada segue o mesmo padrão da OBAFOG realizada nas escolas de todo o Brasil: projetar, construir e lançar foguetes utilizando como propulsor uma mistura química. No Nível 4, que foi a participação dos estudantes do IFPA, essa mistura era a base de vinagre e bicarbonato. A reação química gera gás carbônico, que impulsiona o foguete horizontalmente.
A professora Natália Ferreira Vidal, orientadora das estudantes de Parauapebas, explica que “o foguete só voa se for feito um cálculo muito preciso do peso do foguete, da angulação e da reação química necessária para gerar a propulsão do artefato”. Ela destaca que “não é qualquer quantidade de vinagre e nem qualquer quantidade de bicarbonato. É preciso aquecer o vinagre na temperatura certa para que a reação aconteça”.
O segredo do voo dos protótipos está na soma de diversos conhecimentos. “O voo dos foguetes é resultante de um cálculo que envolve Matemática, Física, Química, Engenharia e Mecânica”. As alunas do curso técnico de Mecânica aplicaram seus conhecimentos de solda para produzir uma base de lançamento sólida, demonstrando o poder do ensino integrado.
Para professora Ana Trovão, que acompanha a OBA desde 2022, o impacto da iniciativa na vida dos estudantes é grande. “Sempre busco incentivar a participação dos alunos nas olimpíadas de conhecimento. A OBAFOG sempre é a mais queridinha e esperada por eles por ter um caráter extremamente prático e dinâmico”. Ela destacou o envolvimento das equipes do campus Vigia, que participaram pela segunda vez e surpreenderam com a qualidade dos lançamentos e o entusiasmo dos alunos.
A chamada para a etapa nacional no Rio de Janeiro foi recebida com alegria e esperança. As equipes se mobilizaram com rifas, feijoadas e vendas de lanches para viabilizar a viagem. “Oito dos noves estudantes convidados participaram das nacionais no Rio de Janeiro. Isso graças ao apoio das famílias, dos esforços dos estudantes e pela ajuda do Instituto Federal”, comemorou professora Ana Trovão.
Durante o evento, os alunos também participaram de oficinas de produção de foguetes de propulsão, eletrônicos e compactação. “Todo esse engajamento sem dúvida servirá de inspiração e motivação para que outros alunos de outras séries e edições também queiram participar e ter essa experiência única que tornará o período de ensino médio mais que inesquecível”, garante professora Ana Trovão.
Cerimônia de Premiação
A cerimônia de premiação ocorreu no auditório da Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí. Os estudantes foram convidados a iluminar a sala com os próprios celulares simulando o céu durante a divulgação da premiação das equipes. As equipes foram anunciadas em meio a muita alegria e muita música. Todos fizeram fotos com os organizadores do evento.
A professora Natália relatou que as “Mosquitas” também foram homenageadas pela companhia aérea Azul durante o voo de retorno ao Pará. Ao desembarcarem no aeroporto de Parauapebas, foram recebidas com festa e seguiram em desfile no carro do Corpo de Bombeiros até chegarem ao campus. A mídia local deu destaque à conquista inédita.