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Formadores da Educação do Campo se reúnem para alinhamento pedagógico

  • Publicado: Sexta, 17 de Outubro de 2025, 16h10
  • Última atualização em Sexta, 17 de Outubro de 2025, 16h39
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O Instituto Federal do Pará (IFPA) realizou, entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro de 2025, o III Encontro de Formação de Formadores da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc). O evento ocorreu no auditório Claudio Matni da Reitoria, em Belém, e reuniu docentes dos sete campi que ofertam o curso: Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Breves, Marabá, Óbidos e Santarém.

O objetivo principal foi promover o alinhamento teórico-metodológico sobre a educação do campo e a formação por alternância. A programação incluiu mesas de debate, grupos de trabalho e reuniões de planejamento coletivo.

No primeiro dia, a abertura contou com a presença do pró-reitor de Ensino do IFPA Arthur Boscariol da Silva, a coordenadora de Educação do Campo, das Águas e da Floresta (CECAF) no IFPA, Rosemeri Scalabrin e a professora coordenadora do Parfor Equidade no IFPA, Shauma Tamara do Nascimento Sobrinho. Desse primeiro momento passou-se para a mesa principal que abordou o papel da pesquisa sobre o território e a relação entre Tempos-Escola e Tempos-Comunidade, com participação de Dalcione Lima Marinho e Rosemeri Scalabrin. À tarde, os grupos de trabalho discutiram propostas de Planejamento de Ensino por Projeto de Trabalho (PEPT).

Para a coordenadora de Educação do Campo, das Águas e da Floresta (CECAF) no IFPA, Rosemeri Scalabrin, esse III Ledoc foi fundamental por ter abordado a relação entre o Tempo Comunidade e o Tempo Escola na formação por alternância. Acrescenta também que se trata da continuidade do processo formativo dos docentes atuantes junto às comunidades tradicionais com foco no debate sobre os dois tempos (escola e comunidade). “Tem por finalidade assegurar a vivência da formação por alternância”.

“As pesquisas de tempo comunidade possibilitam aos estudantes não apenas conhecer a realidade onde estão inseridos, mas também sistematizar, problematizar, a analisar e fundamentar os dados levantados para depois socializar com os docentes e também na comunidade”, esclarece Rosemeri Scalabrin.

No segundo dia, que iniciou com os campi apresentando suas propostas de pesquisa de Tempo-Comunicaddade (TC) por eixo temático, seguidas de debates. Em seguida, as reuniões em grupo trataram da avaliação do segundo Tempo-Alternância (TA), do acompanhamento do TC da realização de seminários temáticos e da formação continuada dos docentes. Também foram discutidos o planejamento do terceiro semestre e a organização do Seminário Estadual das Licenciaturas em Educação do Campo e intercâmbio estudantil.

No terceiro dia, Shauma Sobrinho apresentou o programa Parfor Equidade. Esse programa é ofertado por quatro campi do IFPA: Santarém (em Mojuí dos Campos), Breves (em Curralinhos), Castanhal (em Curuça) e Bragança (em Santa Luzia do Pará). “O Parfor Equidade contribui para a oferta da Educação do Campo nestes municípios, pois os professores contam com diárias e passagens para participar da formação continuada”, explicou Shauma. Nesse mesmo dia, também foi discutido o edital de seleção de docentes para atuar no programa e feitas as discussões sobre a sua gestão, ações e prazos para o desenvolvimento do trabalho.

No último dia realizou-se as discussões sobre a revisão dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) sob a coordenação de Rosemeri Scalabrin e contou com a participação do coordenador-geral de Políticas de Educação do Campo na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/MEC), Evandro Medeiros.

Evandro Medeiros veio ao IFPA apresentar a Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (Novo Pronacampo) e orientar sobre o que é estratégico na revisão do PPC da Licenciatura de Educação do Campo. Sobre o que ele abordou, Rosemeri Scalabrin destacou que é basilar a compreensão de que esse curso seja ofertado aos professores durante as férias de seus estudantes, uma oferta modular, blocada, com apenas uma disciplina por vez e não duas ao mesmo tempo. Ressaltou que é preciso estar atento aos temas agrários, como os conflitos agrários, questões ambientais e climáticas, violência no campo, temas que não fazem parte do PPC das práticas pedagógicas urbano-cêntricas. Propôs que se pense em uma formação que respeite a pesquisa enquanto objeto de conhecimento e não os conteúdos.

Como resultado desse III Encontro promovido pela Pró-Reitoria de Ensino foi formada uma comissão para construir e apresentar uma proposta de oferta de formação e qualificação para os professores do IFPA que atuam na Educação do Campo. A proposta é renovar os currículos da Licenciatura em Educação do Campo ofertados pelos campi do IFPA para deixarem de ser conteudistas. Quando o PPC desse curso estiver aprovado, poderão buscar código de vagas junto ao MEC para ofertar a Educação do Campo em outros moldes.

Para o professor da área de História no Campus Breves, Mayco Bruno Cruz Costa, encontros de formação de formadores como esse ofertado pela Proen são cruciais para garantir o compartilhamento de experiências, a estruturação e planejamento coletivo dos cursos nos diferentes campi a partir das orientações metodológicas da formação por alternância e nas concepções da Educação do Campo. “Nesta edição, por exemplo, foram enfatizadas as discussões a respeito das indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão nos, também, indissociáveis Tempo Acadêmico e Tempo Comunidade”, destacou.

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