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IFPA inicia segunda turma do Curso Técnico de Magistério Indígena Awaete-Parakanã

  • Publicado: Quarta, 21 de Janeiro de 2026, 17h25
  • Última atualização em Quarta, 21 de Janeiro de 2026, 17h25
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O Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Rural de Marabá iniciou em 5 de janeiro de 2026 a segunda turma do Curso Técnico de Magistério Indígena Awaete-Parakanã. A formação é voltada para preparar professores indígenas que atuarão na educação infantil e no ensino fundamental das escolas da Terra Indígena Parakanã.

A aula inaugural contou com a conferência do cacique Xeteria Parakanã, que falou na língua awaete xe’enga e destacou a importância da valorização dos saberes tradicionais e da identidade cultural.

O coordenador do Magistério Indígena no IFPA campus Rural de Marabá, Ribamar Ribeiro Junior informa que essa nova turma reúne quarenta estudantes, em sua maioria jovens, incluindo quatro mulheres indígenas. Muitos concluíram o ensino fundamental há mais de dez anos. “O que representa um desafio maior, dada a temporalidade que ficaram ausentes de processos de escolarização”, explica.

O currículo foi elaborado de forma coletiva, com participação de lideranças indígenas, docentes que atuam na Educação Escolar Indígena e alunos da primeira turma. A estrutura prevê ciclos anuais e alternância entre Tempo Escola e Tempo Aldeia, integrando teoria e prática na produção de materiais didáticos e instrumentos pedagógicos. Sendo o Seminário de Pesquisa do Tempo Aldeia a principal atividade que integra os conteúdos do Tempo Escola ao Plano de Estudo e Pesquisa que é realizado no Tempo Aldeia. “Vale ressaltar que os tempos-espaços de formação Escola e Aldeia se complementam e se organiza em torno de atividades. Este formato de curso em alternância pedagógica contempla a realidade dos povos indígenas e se desdobra com a potencialização da formação dos professores”, esclarece o professor Ribamar Junior.

 

A estrutura do curso pode ser melhor compreendida pelo quadro elaborado pelo professor Ribamar Junior:

Para os estudantes, o curso representa oportunidade de autonomia e fortalecimento da comunidade. Moeri Parakanã afirmou que essa formação é essencial para aprender a dialogar com os não indígenas (toria) e ensinar as crianças (konomia). Já Awataraxa, outro estudante, destacou a necessidade de aprender português e métodos de ensino para assumir o papel que hoje é ocupado por professores não indígenas. No mesmo sentido, o cacique Waripa Parakanã ressaltou que a iniciativa vem para fortalecer as escolas indígenas e espera que abra caminho para a formação superior.

Desde 2011, o Campus Rural de Marabá oferta cursos voltados aos povos indígenas. Começou ofertando curso Técnico em Agroecologia Intercultural. Em 2020, ofertou a primeira turma de Magistério Indígena, concluída em dezembro de 2025 após interrupções causadas pela pandemia e por conflitos étnicos e regionais.

O professor Ribamar Junior explica que a criação de uma turma específica para o povo Awaete-Parakanã se deu pelo interesse deles diante do contexto de luta por autonomia, da necessidade de uma educação que formasse os seus no ensino médio. “E o Campus Rural de Marabá assumiu esse compromisso de construir a proposta a partir de um grupo de docentes que passaram a debater em 2009 a Educação Escolar Indígena, no início das atividades do campus”.

As aulas acontecem na FATA, espaço cedido por agricultores familiares, onde os estudantes recebem hospedagem e alimentação durante o período de alternância.

A expectativa é que a formação impulsione novas lideranças políticas e fortaleça a política de Educação Escolar Indígena diferenciada na região. O IFPA campus Rural de Marabá é pioneiro e já desenvolve ações com outros povos, como Gavião, Aikewara e Kayapó, e projeta ampliar graduações e especializações interculturais.

Com o Magistério Indígena, o IFPA campus Rural de Marabá vem consolidando políticas voltadas à educação escolar indígena na região. A instituição responde às demandas das lideranças locais e projeta novos cursos, como a Graduação em Pedagogia Intercultural Indígena e a Especialização em Educação Escolar Indígena.

Todo esse trabalho de Educação é conduzido pelo Grupo de Pesquisa Territórios Indígenas e Etnoenvolvimento, responsável pela organização de projetos de pesquisa, ensino e extensão no âmbito do campus. As iniciativas sistematizam ideias e práticas junto aos povos originários do Vale do Tocantins-Araguaia, fortalecendo a construção coletiva de instrumentos pedagógicos adequados à cultura e contexto.

“O Campus Rural de Marabá se destaca dentro do IFPA por liderar essas ações e por assumir protagonismo na formulação de propostas voltadas à interculturalidade. A única atividade realizada fora da sede do campus foi o curso de apicultura oferecido pelo Campus Conceição do Araguaia ao povo Kayapó”, detalha Ribamar Junior.

O desafio agora é garantir a regularidade da oferta e ampliar o alcance da iniciativa, que simboliza um marco na luta por inclusão, autonomia e valorização da identidade indígena.

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