A música reuniu talentos paraenses na abertura do II Congresso de Extensão do IFPA
Sensibilidade, concentração e criatividade são algumas das habilidades proporcionadas pela música ao ser humano. Para além do entretenimento, ela se configura como uma ferramenta sociocultural e educacional, um instrumento de formação e democratização do acesso à cultura. E foi com música que se abriu, no dia 15 de abril, o II Congresso de Extensão (CONEXT), promovido pelo Instituto Federal do Pará (IFPA). A apresentação ocorreu no teatro do ITV Center, por volta das 18 horas, com o Hino Nacional executado pelo II Encontro de Bandas.
A recepção dos estudantes, técnicos e professores participantes do II Conext ficou a cargo do diretor-geral do Campus Belém, Hélio Antônio Lameira de Almeida, da pró-reitora de Extensão, Keila Renata Mourão Valente e da reitora do IFPA, Ana Paula Palheta Santana. Eles, um a um, subiram ao palco para agradecer.
Ao dar as boas-vindas, o diretor Hélio Almeida falou do sentimento de honra por recepcionar os demais campi do IFPA para o CONEXT. “Este momento foi extraordinário, pois nossos alunos puderam mostrar o que desenvolveram na extensão junto às comunidades onde atuam”, afirmou.
A pró-reitora Keila Mourão, por sua vez, destacou que o CONEXT é um espaço de integração e celebração dos trabalhos desenvolvidos. Fez questão de agradecer ao diretor do Campus Belém pela acolhida. Agradeceu a toda a equipe da Proex e, dirigindo-se nominalmente a João Augusto, agradeceu à Assessoria de Comunicação (Ascom) do IFPA pela parceria.
Dirigindo-se aos músicos e regentes, Keila Mourão também os parabenizou pela união e dedicação à música, por abraçarem as bandas. “Este é um momento de acolhimento e fruto de construção coletiva. Muitos vieram de longe para garantir a beleza que é esse espetáculo. Estão de parabéns”.
A reitora Ana Paula Palheta Santana explicou ao público que o CONEXT é resultado do trabalho competente, sensível e imprescindível dos professores, técnicos e estudantes. Destacou, também, a relevância da música na formação integral dos estudantes. “É uma das artes que mais nos movimenta, nos alimenta e impulsiona a seguir em frente”. “Nos campi, nossos regentes vão vencendo desafios para ofertar formação humana, omnilateral, de modo a promover o desenvolvimento humano pleno e integral”.
Ainda durante a abertura, a reitora ressaltou o papel do evento para celebrar os êxitos da extensão. “Mostrar à sociedade que um instituto centenário tem entregado, a cada cidadão e cidadã deste estado, não somente formação para o mundo do trabalho, mas uma formação que nos habilita a viver como seres humanos, permitindo-nos encontrar uns com os outros para seguirmos em frente. Irmanados por algo que só a arte consegue fazer, que é nos dar o alento, a sensibilidade e desenvolver em nós a capacidade de nos entendermos como seres sociais, subjetivos e interconectados. Essa noite renovou nosso fôlego e ânimo. Sigamos em frente”, finalizou.
II Encontro de Bandas do IFPA
Ao todo, seis regentes se revezaram no palco — Elissuam Souza, Weiller Adriana da Silva Pessoa e Reinaldo Aldamiro, do Campus Belém; Hudson Trindade, de Castanhal; Anderson Fortaleza, de Itaituba; e Nathalia Paixão, do Campus Vigia. Em duas horas de apresentação, comandaram uma grande banda composta por cerca de 60 musicistas — entre estudantes, egressos e servidores — dos campi Belém, Cametá, Castanhal, Itaituba, Paragominas e Vigia.
A apresentação teve início com o dobrado “Os Músicos”, composto por João Sacramento Neto, sob a regência de Anderson Fortaleza. Na sequência, foi a vez de Weiller Pessoa na regência da canção “Smoking Snakes”, da banda sueca Sabaton, com arranjo de Mesquita. Em seguida, o novo regente da Banda do Campus Belém, Elissuam Souza, comandou a execução da música “Africa/Toto”, composta por David Paich e Jeff Porcaro, com arranjo de Wolfgang Wossner. Weiller retornou na sequência com “Coldplay Classics”, de autoria da banda Coldplay, com arranjo de Michael Brown.
O maestro da Banda do Campus Castanhal, Hudson Trindade de Sousa, emocionou o público pela parceria com o professor, cantor, compositor e regente Bruno Diego, que cantou “Oh Happy Day”, música baseada na letra de Philip Doddridge com arranjo de Donald Furlano.
O sertanejo também teve espaço com a música “Evidências”, de autoria de José Augusto, com arranjo e regência do professor Anderson Fortaleza de Sousa. As duas músicas seguintes foram regionais: “Flor do Destino”, de autoria de Nilson Chaves e Vital Lima, com regência de Natália Paixão; e “No meio do Pitiú”, composta por Dona Onete, com regência de Elissuam Sousa — ambas com arranjo de Rafael Brito. Ainda na linha regional, foi executada a canção “Olha bem para mim”, de Viviane Batidão, com arranjo de Adriano Oliveira e regência de Weiller Pessoa.
Formação cultural e integração
Para a regente do Campus Belém, Weiller Pessoa, o segundo encontro de bandas foi marcante, pois a música tem o poder de promover integração, trazer a comunidade para dentro da escola e alcançar a sociedade. “Os projetos de música são opções extracurriculares. É nas ações de extensão permite que estes jovens interajam com outros músicos. Eu agradeço à Proex pela realização dos Encontros de Bandas. Espero que virem tradição e estimulem a criação de novas bandas no IFPA”, comentou.
Para a etnomusicóloga Natália Fernandes da Paixão, uma das regentes da Banda de Música do Campus Vigia, a participação dos estudantes em uma grande banda como a criada pelo II Encontro de Bandas foi fundamental para a completude da experiência estética deles. Ela explicou que veio a Belém acompanhando estudantes da Região do Salgado Paraense: dois de Vigia, quatro de Santo Antônio de Tauá, dois de Colares e um de São Caetano de Odivelas.
Os estudantes do Campus Vigia ensaiaram intensamente as dez músicas apresentadas, garantiu a maestrina. “Lá no campus, os ensaios ocorrem no intervalo para o almoço. Quem deseja participar é só se aproximar. Por conta disso, só participa quem disponibiliza desse tempo. Seria importante que as práticas de música fizessem parte do ensino para alcançar todos os estudantes”, afirmou Natália Paixão.
“Vigia é uma cidade musical, com muitas bandas marciais e execução de muitos dobrados. Quando a gente vem para Belém, nos desafiávamos a tocar outros repertórios. Estar aqui e participar dessa grande banda foi algo engrandecedor para os nossos meninos”, acrescentou.
De egresso a regente de banda no IFPA
Para o novo regente da Banda de Música do Campus Belém, Elissuam Sousa, o II Encontro de Bandas do IFPA foi um marco. Ele foi, há 17 anos, estudante do curso subsequente de Técnico em Aquicultura no mesmo Campus, período em que participou de aulas teóricas e ensaios da banda regida por Weiller Pessoa.
Agora, já servidor professor, voltou assumindo a batuta da banda em que um dia foi aluno. Em sua avaliação, o Encontro de Bandas fortaleceu a área de Arte e deu visibilidade ao trabalho musical desenvolvido no instituto. “Nossa banda funciona como se fosse uma escola de música. Para este evento trouxemos 32 integrantes. E este encontro nos permite conhecer outros regentes, como o professor Hudson Trindade, com quem pude trocar experiências e aprender mais”.
“A Proex está de parabéns, pois está de fato pensando na extensão quando dá continuidade ao Encontro de Bandas”, acrescentou.
Para o maestro Hudson Trindade de Sousa, do Campus Castanhal, o Encontro de Bandas foi uma conquista. “Este foi o segundo ano em que fizemos a abertura do Congresso de Extensão. Trata-se de um espaço fundamental para os estudantes em formação e pode servir de exemplo para os demais campi que ainda não têm suas bandas. Nesta edição, trouxemos mais músicos e um repertório diferenciado”.
“O Encontro mostrou o potencial das Bandas de Música dos campi do IFPA. Reflete a sensibilidade da gestão em proporcionar eventos dessa magnitude para nossos estudantes. Esperamos que se ampliem os fomentos dos projetos nos campi. Atividades como essa são uma forma de mostrar que a música é arte e ciência presente dentro do CONEXT”, ressaltou.
Opinião dos estudantes
Para o concluinte do curso Técnico em Informática do Campus Vigia, Rafael da Silva Almeida, 17 anos, participar do Encontro de Bandas foi uma oportunidade ímpar. “A música é amor e alegria, essencial em nosso dia a dia. Na escola é importante ter bandas e essa convivência. Estou muito feliz de estar aqui”.
Outro integrante da grande banda, o estudante do Campus Cametá, Ramon da Costa da Silva, 17 anos, afirmou que participar do evento foi uma realização. “Participar da banda é um hobby que acalma a mente. Os ensaios são momentos de lazer e diversão. Além disso, nos ensinam a ser responsáveis e a ter compromisso”.
Por sua vez, a estudante de Licenciatura em Letras do Campus Ananindeua, Viviane da Silva Andrade Carvalho, 44 anos, destacou a alegria com essa experiência. “Eu achei excelente. Foi a primeira vez que eu vi algo assim”.