IFPA promove o Encontro de Enfermagem
A enfermagem atua para o bem-estar físico, mental e social, na difusão de conhecimento, na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Com o objetivo de promover integração, aprimoramento e fortalecimento dos cuidados de saúde no ambiente educacional, o Instituto Federal do Pará (IFPA) realizou, no Dia da Enfermagem, 20 de maio, o I Encontro de Enfermagem. O evento aconteceu no auditório Cláudio Matni, das 8h às 18h, com oferta de lanche, momento cultural e transmissão on-line.
A mesa de abertura do evento contou com a presença do diretor executivo do IFPA, Fabrício Medeiros Alho; da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas do IFPA, Wanaia Tomé de Nazaré Almeida; do presidente do Conselho Regional de Enfermagem (COREN/PA), Antônio Marcos Freire Gomes; do presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn/PA), seção Pará, William Dias Borges; da diretora de Assistência Estudantil do IFPA, Laura Helena Barros da Silva; e da enfermeira do Campus Castanhal e integrante da comissão organizadora do evento, Jamily Souza.
Para Jamily Souza, a realização desse evento é um marco histórico para o IFPA, algo muito esperado pelos profissionais de enfermagem que atuam na Rede Federal de Educação. Na mesa de abertura, ela apresentou o contexto que justificou a criação do encontro. Relatou sua trajetória na enfermagem e no IFPA desde 2017, destacou os impactos da pandemia no trabalho dos profissionais e explicou como os grupos de WhatsApp se tornaram ferramentas importantes para conectar enfermeiros de vários institutos federais, possibilitando ações conjuntas.
Em sua fala, Jamily Souza também destacou que os enfermeiros da instituição precisaram aprender a trabalhar remotamente em um território de grandes dimensões, marcado pela falta de internet e energia elétrica. Nesse contexto, perceberam a importância de sensibilizar a comunidade escolar sobre o foco da enfermagem, que é a promoção da saúde e a prevenção de doenças. Assim, buscaram fortalecer uma visão holística da enfermagem.
Foi nessa vivência que Jamily encontrou o tema para o mestrado que estava iniciando. Ela pesquisou e transformou em dissertação a atuação dos profissionais de enfermagem nos institutos federais da Região Norte nos contextos pré e pós-pandemia. “Não basta ter a resolução do Conselho Federal de Enfermagem para amparar nossa atuação; é preciso divulgá-la, ampliar a discussão e promover mais momentos como este para conhecer melhor e se apropriar do documento. Estar aqui hoje representa muito para nós, que lutamos pela saúde e acreditamos que ela é primordial para a vida de todos. Agradeço imensamente aos colegas que estão comigo na comissão organizadora deste evento”, avaliou Jamily Souza.
Os enfermeiros trabalham nos campi temas como mal-estar causado pela alimentação inadequada ou pela falta de alimentação, bullying, higiene pessoal, uso e abuso de álcool e drogas, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), prevenção da gravidez na adolescência, entre outros assuntos voltados à prevenção de doenças.
A diretora de Assistência Estudantil do IFPA, Laura Helena Barros da Silva, destacou o papel central da enfermagem nas instituições de ensino. “A enfermagem assume, na Rede Federal, esse papel estratégico, integral e transformador do cuidado, que não se limita à doença em si, mas envolve a promoção da saúde e o esclarecimento da comunidade”.
“E eu sei que, nos lugares onde há ambulatório e profissionais da enfermagem, sempre existe uma porta de entrada para outras demandas. Parabenizo a iniciativa do evento. É importante que a gente tenha sempre esse olhar em rede e de integração das ações”, elogiou Laura Helena.
O presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), seção Pará, William Dias Borges, parabenizou o IFPA pela realização do evento. Ao celebrar os 100 anos da entidade, convidou o IFPA a analisar futuras ofertas de cursos de Licenciatura em Enfermagem.
Por sua vez, o presidente do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Antônio Marcos Freire Gomes, afirmou que há uma lacuna no processo de formação, capacitação e treinamento dos profissionais de enfermagem no Brasil, mas destacou que esse cenário vem mudando com a criação do primeiro mestrado profissional em enfermagem ofertado a pedido do COREN.
Antônio Marcos também parabenizou os servidores e enfermeiros do IFPA, Jamily e Thomás, por terem provocado o COREN a articular a criação da resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). “Se a resolução do COFEN, que hoje normatiza a enfermagem, é uma realidade, muito se deve ao trabalho que eles fizeram aqui em parceria, saindo da zona de conforto para buscar soluções para um problema que os incomodava”, agradeceu. “Eu os parabenizo, pois, graças a isso, o Pará foi protagonista no cenário nacional para que tivéssemos essa normativa instituída em tempo recorde”, acrescentou.
Para o professor Fabrício Medeiros Alho, a enfermagem é um setor fundamental nas instituições de ensino, atuando no âmbito do cuidado e fortalecendo a permanência e o êxito estudantil. “Não há educação sem saúde. E, se não há educação sem saúde, também podemos afirmar que não há saúde sem o protagonismo da enfermagem. Precisamos avançar muito e, a partir deste evento, esperamos dar muitos passos à frente”.
Pela manhã, também ocorreu a palestra sobre a Atuação da enfermagem no ambiente escolar/acadêmico- Desafios e perspectivas proferida pelo enfermeiro do Campus Conceição do Araguaia, Cleyton Abreu Martins e pela enfermeira da Reitoria do IFPA, Thatiane Amaral Cabral.
No período da tarde, ocorreu uma segunda palestra “Normativas da enfermagem no contexto educacional: responsabilidades e limites da atuação”, proferida pelo enfermeiro do Campus Bragança Thomas Franca Oliveira e o enfermeiro do Campus Belém Joatã Souza Salgado. Na sequência, foram realizadas as rodadas de conversa sobre a enfermagem nos campi do IFPA e o levantamento de propostas - Construção de encaminhamentos, com a mediação das enfermeiras Keila Vargas e Jamily Silva Souza; socialização do material construído e apresentação das propostas e os encaminhamentos.
Para a presidente da Comissão Organizadora do Encontro, Keila Vargas, os eixos centrais do evento foram normativas, práticas e vivências. Foi abordada a atuação da enfermagem no ambiente escolar e acadêmico do IFPA, com foco na solução dos desafios enfrentados pelos profissionais nos campi, nas perspectivas de fortalecimento da atuação institucional e nas normativas que orientam o exercício da enfermagem no contexto educacional. “Houve espaço para troca de experiências entre os enfermeiros e construção coletiva de propostas voltadas ao aprimoramento do trabalho desenvolvido na instituição”, ressaltou.
“O nosso objetivo com essa ação é contribuir para integrar os profissionais, valorizar a atuação da enfermagem e ampliar o debate sobre políticas institucionais de promoção da saúde e cuidado com a comunidade acadêmica”, esclareceu Keila Vargas.
Segundo Keila Vargas, o evento contou com 113 inscritos e participação efetiva de 53 pessoas, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem dos campi Abaetetuba, Altamira, Ananindeua, Belém, Bragança, Castanhal, Conceição do Araguaia, Marabá Industrial, Marabá Rural, Santarém e Reitoria. Também participaram profissionais externos de instituições como IFRN, IFCE, IFMA, IFES e IFPE, além de estudantes.
Como resultado do Encontro de Enfermagem, Keila Vargas destacou a construção coletiva entre os profissionais de enfermagem do IFPA. “Fizemos o levantamento de propostas voltadas ao fortalecimento do trabalho da enfermagem na instituição e à promoção da saúde, prevenção de doenças e acompanhamento da comunidade escolar e acadêmica”, afirmou.