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Estudantes do IFPA Altamira conquistam medalhas na fase nacional da Olimpíada Brasileira de Geografia em Campinas (SP)

  • Publicado: Sexta, 05 de Dezembro de 2025, 15h53
  • Última atualização em Sexta, 05 de Dezembro de 2025, 15h53
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Três estudantes do Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Altamira conquistaram uma medalha de ouro e duas de bronze na etapa presencial da 10ª Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), realizada entre 25 e 28 de novembro, em Campinas (SP). A competição reuniu cerca de 175 estudantes de todo o país e encerrou com cerimônia de premiação no último dia do evento.

O estudante Samuel Linhares da Silva garantiu uma ótima pontuação e trouxe uma das medalhas de ouro. A pontuação de Saymon Macedo Xavier da Rocha e Davi de Lima Medeiros também foi expressiva e garantiu a cada um deles uma medalha de bronze. Os três cursam o 3º ano do Técnico em Informática e representaram o Pará entre as três equipes selecionadas por estado para a fase final.

A OBG é organizada pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal), com apoio da Unicamp e financiamento do CNPq. A competição começou em agosto, com três fases on-line e uma etapa presencial, avaliando conhecimentos em Geografia Geral, Cartografia e Geotecnologias. Ao todo, a OBG contou com mais de 48 mil estudantes inscritos em todo o país

Na primeira fase, a equipe do IFPA Altamira se destacou entre 961 equipes paraenses, superando inclusive outros campi do próprio instituto. A classificação veio com medalha de ouro na etapa estadual e uma das três melhores notas entre as escolas públicas do Pará.

Na etapa presencial, cada um dos 27 estados contava com três equipes. As provas foram realizadas na modalidade individual. Os estudantes realizaram três avaliações: uma discursiva, uma prática-cartográfica e uma multimídia. Os 157 participantes das 81 equipes aprovadas para a etapa nacional da OBG concorriam a uma das 100 medalhas — 50 de bronze, 30 de prata e 20 de ouro. “Garantimos três medalhas entre os melhores do Brasil. É um resultado extraordinário”, avalia o professor e coordenador da OBG no campus, Genilson Santana.

O professor Genilson Santana destaca que o desempenho dos alunos é reflexo de um trabalho contínuo. Ele explica que Samuel, Saymon e Davi demonstraram disciplina, curiosidade e dedicação desde as fases on-line. “Eles se reuniam para estudar, debatiam as questões e chegavam a consensos. Esse comprometimento foi decisivo”, afirma.

Genilson conta que percebeu o potencial dos estudantes medalhar ainda nas fases virtuais, quando eles começaram a se destacar pela consistência das respostas. A confirmação veio durante a prova prática-cartográfica, considerada a mais complexa. “Eles precisavam analisar imagens, identificar problemas, causas, soluções, relacionar aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ainda elaborar um mapa. Quando disseram que conseguiram fazer com tranquilidade, eu soube que iriam medalhar”, relata.

Essas três medalhas na etapa nacional da OBG, para o professor Genilson, representam a consolidação de um projeto pedagógico que valoriza a ciência geográfica e o protagonismo estudantil. Ele espera que o resultado fortaleça o apoio institucional e incentive mais alunos a participarem de atividades científicas. “Que a OBG se torne referência interna como espaço de pesquisa, formação e excelência”, afirma.

A preparação para essa fase final foi intensa. A equipe estudou temas em alta, como geopolítica mundial e questões ambientais, além de aprofundar técnicas cartográficas e cálculos de escala. “A maioria das habilidades cobradas estava ligada a esses conteúdos. Foi um estudo direcionado e cuidadoso”, explica o professor Genilson.

Os desafios, porém, foram além do conteúdo. A viagem de Altamira (PA) até Campinas (SP) exigiu grande esforço financeiro, já que a OBG não cobre despesas. “A gestão do campus, a Reitoria e as famílias foram fundamentais para viabilizar nosso deslocamento”, destaca o professor. Dois dos estudantes nunca haviam saído do estado. “Quando chegamos ao hotel, um deles disse: ‘Vale a pena estudar’. Ali tudo fez sentido”, lembra Genilson.

Entre os medalhistas, o sentimento é de superação. Para Saymon Rocha, 18 anos, a experiência foi marcante. “Representar minha família, minha cidade e meu estado em uma competição nacional significa muito. Sabia que meu esforço traria resultados”, afirma. Ele relata que a viagem longa e cansativa foi um dos maiores obstáculos. “A exaustão e os atrasos dificultaram muito, mas a resiliência nos levou ao topo”.

Saymon, por estar no último ano do curso técnico, não poderá mais competir na OBG. Por isso, pretende ajudar futuras equipes do campus, compartilhando sua experiência. Já Davi Medeiros, 17 anos, descreve a participação como enriquecedora. “Não esperava conquistar uma medalha. Foi uma surpresa muito feliz e um reconhecimento de todo o esforço”, conta.

Davi destaca que o maior desafio individual foi lidar com o psicológico. “A preparação exige foco e dedicação quase totais. É mentalmente exaustivo”, afirma. No coletivo, a prova prática foi o momento mais difícil. “Precisávamos buscar dados, relacionar, contextualizar e aplicar tudo em pouco tempo. Foi intenso, porém muito formativo”.

Samuel comenta que o maior desafio da prova final foi administrar o tempo e manter a calma diante das questões complexas. “Percebi que o ouro era possível quando finalizei a prova com segurança e senti que havia conseguido aplicar tudo o que tinha treinado, mesmo ainda esperando o resultado com ansiedade”, relembra Samuel. Ainda assim, estava incerto o resultado, até porque ele não sabia como seria calculada a pontuação e também não tinha noção do nível de outros competidores.

Durante as provas, comenta Samuel, era grande a vontade de superar os próprios limites, e pensar em quem o apoiou dava-lhe muita força. No período que não tinha atividades, buscou manter os pais bem informados por meio de mensagens e isso foi importante para renovar a autoconfiança, e para poder receber o incentivo e o apoio emocional necessários. “A pressão pessoal que eu fiz sobre mim mesmo por saber que meus pais investiram na viagem também me inspirou muito, já que eu queria honrar o esforço deles e mostrar que o custo valia a pena”.

“Eu já tinha visto a premiação dos meus colegas e meu nome parecia não ser chamado nunca. Sinceramente, foi uma mistura de surpresa e alívio quando meu nome foi lido entre os medalhistas de ouro, porque todo o esforço realmente valeu a pena”, relembra Samuel.

Para quem deseja participar das próximas edições da OBG, Samuel orienta a estudar com consistência, entender que a prova vai além de decorar conteúdo e que exige interpretação, atenção aos detalhes e capacidade de raciocinar. “É preciso buscar manter a concentração e o foco durante a prova inteira. Muitas vezes, a resposta está justamente na interpretação do enunciado e na calma para conectar as informações. A OBG premia quem persiste, pensa com clareza e sabe formular uma resposta, no fim das contas”, sugere Samuel.

Para finalizar, Samuel avalia que o próprio desempenho e dos colegas em todas as fases é fruto direto da qualidade do ensino ofertado pelo IFPA. “O IFPA oferece uma formação adequada, que combina teoria e prática, e promove um ambiente em que os estudantes são incentivados a buscar conhecimento além da sala de aula”.

“Além disso, muitos dos meus professores estimulam a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas, habilidades que fazem muita diferença em competições como a OBG. Mesmo com desafios estruturais que muitas instituições públicas enfrentam, principalmente na nossa região, que muitas vezes é negligenciada, o IFPA mostra que educação de qualidade também depende de compromisso, esforço coletivo e valorização do potencial dos alunos”, conclui Samuel.

A conquista dos estudantes do IFPA Altamira reforça o potencial da educação pública amazônica e evidencia como dedicação, apoio institucional, familiar e oportunidades contribuem para transformar trajetórias. Uma vitória que ultrapassa medalhas e alcança novos horizontes para os jovens da região.

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